Posted by : RodrigoPatoDonald sexta-feira, maio 12, 2017

           "Levante a cabeça olhe as estrelas e o mar, o melhor da vida é estar livre pra sonhar.... ♫♪"





O CASO YURI, DE “A FORÇA DO QUERER”... VAMOS ENTENDER??

Bem... faz praticamente um mês que a novela A Força do Querer está no ar e para nós, da comunidade Geek/Nerd/Otaku, temos um motivo insólito para pelo menos tentar acompanhar a novela: o personagem Yuri.

A autora da novela, a consagrada Glória Perez, resolveu apostar no meio “otaku” para pegar uma parcela de público que, tradicionalmente, tem aversão às novelas. Yuri foi usado como “alívio cômico” da novela, por se vestir de Goku e agir de maneira, aparentemente, néscia. O nível de estereótipo criado para o personagem é tão avançado que o menino se comunica com os pais através do Whatsapp e ainda usa expressões em japonês (aprendidas de modo aleatório provavelmente assistindo animes e games).

E é sobre esse modo “estereotipado” do personagem que vamos falar. Afinal, o comportamento do jovem tem causado um misto de Ódio e Amor contra o personagem e as Empresas Globo. Afinal, a comunidade “otaku/cosplay” já possui uma tendência natural de “odiar” a Globo por ela não “ter sido como a Manchete ao exibir os animes e tokusatsu”. Muitas matérias da emissora no passado já acertaram e, ao mesmo tempo, erraram a mão do assunto cosplay e produções japonesas. Por isso, quando foi anunciado que o Yuri iria ser um garoto “otaku/cosplayer”, a nossa comunidade ficou em alvoroça. Perguntas do tipo “como a Globo vai abordar o assunto agora?” entupiram blogs, sites, comentários, fóruns e etc sobre o garoto otaku na novela.

No dia 07/04 foi a estréia do menino “otaku” na novela. Numa cena que durou um pouco mais de 60 segundos já foi motivo para a comunidade “otaku/cosplayer” estar dividida entre o Bem e o Mal. Na cena, o menino estava saindo de um evento de cosplay com seus amigos, tirando foto e se divertindo. Ao falar com a mãe no telefone, usa palavras e expressões em japonês, o que causou certo desconforto na sua mãe. Chegando em casa, fala para o tio que quer ser chamado pelo personagem Goku, da franquia de Dragon Ball. O comportamento “leviano” causou certo furor no meio. Surgiram muitos (mas MUITOS mesmo) memes (alguns até ofensivos), condenando o personagem. Já li até comentários dizendo que o ator, no caso, o jovem de 15 anos Drico Alves, devia ter recusado o papel. Vamos lá, esclarecer.

Glória Perez é a autora da novela e ela é conhecida no meio dos noveleiros por criar tipos exóticos e caricatos em cada novela (quem não se lembra do cigano Igor, do gótico Reginaldo, do afetado Lulu, dos núcleos turcos, indianos, marroquinos e etc em outras novelas??). Em A Força do Querer, o personagem “exótico” da vez foi o jovem Yuri. NEM adianta dizerem que “o ator devia ter recusado”. Se não fosse ele, seria outro. E ainda digo mais, o adolescente NEM é o responsável pelo personagem, mas a autora. E tem mais, NEM a autora pode ser culpada. Ela depende exclusivamente dos seus pesquisadores para apresentar para a tela, o que aprendeu. E com o Yuri NÃO foi diferente.

MUITOS “otakus/cosplayes” reclamaram por causa da caricatura e como o hobby foi apresentado. Talvez esse lado da reclamação tenha a sua validade. Afinal, o modo como o hobby foi apresentado nesse primeiro mês possa causar uma impressão, digamos, duvidosa para os leigos com relação a esse passatempo. Afinal, a princípio, Yuri está se mostrando relaxado, viciado em games, animes e cosplay e deixa de fazer coisas importantes (como estudar e outros afazeres de casa) para se dedicar aos seus passatempos.

Mas uma coisa que devemos levar em conta é que a novela está no primeiro mês. Muita coisa vai mudar. A tendência de QUALQUER personagem e em QUALQUER novela é se mostrar de um jeito e terminar de outro e mostrar um exemplo de superação e evolução diante de alguns conflitos. E com o Yuri NÃO vai ser diferente. Aliás, a autora já falou que vai usar dois adolescentes, o Yuri e a Ivana (Carol Duarte) para tratar de um assunto MUITO comum entre os jovens: a depressão. Ambos os adolescentes (Yuri tem 15 e Ivana 17) possuem pais relapsos (Joyce e Heleninha se preocupam mais com futilidades e a aparência enquanto os pais Eugênio e Junqueira só ocupam a mente com trabalho). E com isso, eles acabam não se envolvendo com os dramas sofridos pelos dois jovens. Enquanto Ivana luta para tentar se redescobrir como pessoa e o seu corpo, Yuri luta para ser um jovem que apenas quer se notado e faz de tudo para chamar a atenção dos pais ALÉM das cobranças que ele sofre. No caso do Yuri, ele usa o cosplay e a tecnologia como válvula de escape para chamar a atenção do pai e da mãe. Em todas as cenas em que ele apareceu até o presente momento, os pais estão sempre dando bronca e cobrando ele e sem nenhum afeto. E é claro que o Yuri vai fazer de tudo para chamar a atenção.

E não adianta reclamar. Eu, como veterano, já fui jovem, já tive meus 15 anos e sabemos MUITO bem que os jovens dessa faixa etária, que vivem a fase das descobertas, acabam adotando um “nicho” que se identifica. Nos anos 1990, tivemos o privilégio de acompanharmos a estreia de Cavaleiros do Zodíaco na finada TV Manchete. Os jovens daquele ano vibravam com as aventuras de Seiya. Imitavam seus golpes e falas. Vão me dizer que, quando vocês descobriram Yu Yu Haksuho, vocês não faziam um “Leigan” entre amigos e familiares com os dedos? Nos anos 2000, quando se iniciou a febre Naruto, veio a questão de andar com as bandanas do personagem por aí e nos eventos. Fora que nos eventos veio a moda de carregar plaquinhas com enquetes sem nexo ou com dizeres de “beijos e abraços grátis”. E sem falar nas toucas de bichinhos fofos (a maioria de Pokemon) que são vendidas aos baldes até os dias de hoje. Para os jovens de 15 anos dessa década, a moda é correr com os braços pra trás como os personagens de Naruto, usar expressões de falas de animes (quantas vezes vocês já viram os jovens de 15/16 anos dessa década dizendo: “vou botar teu nome no Death Note”?? Ou “vou invocar o Genki Dama”?? Já ouvi isso aos montes em eventos e em comentários da Internet... e olha que tenho 30 anos de experiência no meio “otaku/nerd”...) e sem falar nas falas de palavras aleatórias japoneses que o povo aprende vendo animes, tokusatsus, doramas e games (“você é baka”, ou “que kawaii desu”, ou “vou me servir: ITADAIKIMASU”)....

Embora o Yuri NÃO represente TODOS os tipos de otakus e cosplayers, sabemos MUITO bem que a MAIORIA dos jovens da idade dele são exatamente assim como foi apresentado na novela. Pela minha experiência no meio, eu cresci no meio, garanto que uns 60% dos jovens “otakus/cosplayers” da faixa etária do Yuri da atualidade são EXATAMENTE assim. Claro que o povo que está nos 40% não está curtindo o modo como o garoto otaku Yuri está sendo mostrado na novela. Afinal, tem MUITO otaku que estuda (e, pasmem, tem até otaku que é formado), trabalha, faz suas coisas e não deixa de realizar o hobby. Apesar do aparente impacto negativo inicial que a novela abordou com os otakus/cosplayers, deve-se levar em conta que Glória é conhecida por mostrar o lado ruim e positivo dos temas propostos por ela e expandir e desenvolver o tema gradualmente. Foi assim quando, em 1995/1996, a internet estava “nascendo” no Brasil e ela foi vista como algo nocivo em Explode Coração no início e acabou sendo usada para o bem no final (e, hoje em dia, a internet é usada tanto para o bem como para o mal).

Então, não adianta criticarem a autora e o personagem. A autora já falou que vai usar o Yuri (Drico Alves) e a Ivana (Carol Duarte), dois adolescentes que possuem seus problemas (Yuri com a questão da falta de atenção dos pais e a Ivana com a sua identidade de transgênero) para tratar de uma doença que afeta e MUITO os jovens: a Depressão. Enquanto a Ivana usa o vôlei como válvula de escape, Yuri vai usar os animes e os cosplays para isso. Ou seja, tem MUITA coisa para se desenvolver ainda. Lembre-se: a novela, até o dia em que esse texto foi escrito, só tem um mês. Tem MUITA coisa para mostrar e desenvolver ainda. Então... aguardemos o desenrolar e o desenvolvimento dos personagens e vamos ver em que bode vai dar. Até lá, Daijobu, Povo... Daijobu...


{ 1 comentários... leia abaixo, ou faça o primeiro }

  1. Acho que tudo depende do público inserido, não tem como você explicar para uma mulher de 40 anos, mãe e que nunca nem se interessou por animes o que está acontecendo porque ela vai ver superficialmente como é tratado, não importa o que a novela mostre, pré julgamentos existem, não é o que fazem também com as novelas? "Tudo Mexicanas", "Draminha puro", "Sempre um triângulo amoroso", "Baixa Qualidade", "Mesmas histórias"... Pois então, acho que existe estereótipos sobre as novelas e seu público tambem só que... cala-te boca...

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