Posted by : RodrigoPatoDonald terça-feira, julho 04, 2017

                           "Olhem o nosso verde... vamos preservar, preservar, preservar...."




Ontem encerrei a saga do Spectreman contra as tramas do pérfido Dr. Gori. O que eu aprendi? Como encarei essa série? Vejamos...

Spectreman se saiu como uma série BEM ambígua. Quem são os vilões? Quem são os heróis? Quem está certo? Quem está errado? Bem... passei o roteiro todo fazendo essa pergunta enquanto assistia a série. A premissa de Spectreman é a ecologia. O propósito da série foi conscientizar os riscos da poluição e a influência da mesma no nosso planeta. E, em cada episódio, somos perguntados: "merecemos morar nesse planeta??"

Dr. Gori criava os monstros a partir de resíduos tóxicos lançados na Natureza pelos próprios humanos. Nesse caso, Dr. Gori queria que os Humanos provassem do próprio remédio. Muitos monstros mutantes são uma mistura de criaturas terrestres com resíduos poluentes. O objetivo principal de Dr. Gori seria varrer a humanidade do nosso planeta e restaurar o "Éden" e ser o novo governante desse planeta SEM os Humanos. Mas ele tem um percalço: o nosso herói, que era a favor da presença da humanidade. 

Aí que entra a ambiguidade do roteiro, conduzido de forma brilhante pelo trio Haruya Yamazaki, Masaki Tsuji e Susumu Takaku. Ficamos a série toda nos perguntando se o Dr. Gori é o real vilão. Na verdade, podemos dizer que ele é o que chamamos de "justiceiro", aquele que faz justiça da maneira dele sem se importar com os meios dele. Para Dr. Gori, os humanos são os maiores inimigos da Natureza e são indignos de morarem aqui. Por isso, ele quis exterminar a raça humana para salvar o planeta. Mas, encontramos entre os humanos, aqueles que lutam pelo bem da Natureza. E são esses que o nosso herói quer acreditar que o planeta vai mudar. Afinal, o grande erro do Dr. Gori foi esse: querer generalizar a humanidade como um todo como a causadora da poluição. Podemos encontrar entre os humanos, pessoas que querem restaurar o nosso planeta. 

Sobre a série em si, não devemos esperar muita coisa dos efeitos especiais. Afinal, estamos falando de uma série de 1971. O baixo orçamento deixou os efeitos especiais precários, o que pode afastar um pouco os toku-fãs mais jovens, acostumados a efeitos especiais mais elaborados em tokus atuais. Vamos ver MUITOS bonecos de panos e raios de papelão pintados de giz de cera, fora as naves de papel crepom e fita crepe. 

Mas a série compensa e MUITO com a história profunda e bem reflexiva. Uma coisa que me incomodou um pouco foi a sua fotografia. MUITO escura e não combinou um pouco com a proposta da série, que devia passar uma mensagem mais "colorida" de conscientização. 

E sobre a considerada mais "densa e assustadora" sequência de episódios da série: "O Vampiro do Espaço!". Não achei grande coisa. Achei o monstro rato de duas cabeças mais assustador que o "vampiro" em si. E sobre "densidade", a sequência de episódios da feiticeira ("A Maldição da Feiticeira"), por abusarem da fotografia escura e dos efeitos sonoros estridentes, me deixou mais tenso. Aliás, PARA MIM, essa sequência da Feiticeira foi o melhor de Spectreman. Uma trama pesada para uma série de crianças e que saiu um pouco da questão da ecologia. 

O elenco foi MUITO bom. Tetsuo Narikawa (nosso saudoso herói) foi um ator MUITO bom e, pelo que andei pesquisando, um excelente atleta. Pena que seu potencial como atleta não foi muito explorado (E achei um erro ele aparecer fumando em alguns episódios... se ele é um herói que combate a poluição, deveria ter nos poupado dessa imagem que vai contra os propósitos do personagem apresentado... ). Mas, em compensação, Takamitsu Watanabe, o Kato, teve seu talento como lutador bem explorado, principalmente dos episódios 38 até o final, onde a equipe Anti-Poluição teve muitos combates corpo-a-corpo. O elenco feminino teve 4 mudanças no decorrer da série, sendo que destaco a doce Chieko (Tachibana Mineko), que deu um ar mais lúdico para a equipe. 

A trilha sonora se resume a canções e BGMs com pegadas mais "militares", como era o padrão de músicas de tokus dos anos 1970. As três canções apresentadas na série abusam de um tom de "hino nacional" e nos coros infantis e adultos. E as BGMs, como citado acima, tem um tom de "marcha militar". Não curti muito a proposta da trilha sonora.

Spectreman é uma ÓTIMA série. NÃO está isenta de falhas. Pode não agradar os mais jovens sedentos por efeitos especiais mirabolantes (talvez me engane, mas...). Mas, para o veteranos, é um prato cheio. Vale MUITO a pena assistir e se conscientizar sobre o que estamos fazendo com o nosso planeta. A série se encerra de forma primorosa e digna. Ou seja, "parado eu não vou ficar não... não vou cruzar os braços e ver o verde se acabar!"

{ 5 comentários... leia abaixo, ou comente }

  1. Não esperava review de Spectreman, confesso. mas tapa-buracos á parte eu adoro essa série, que vi na última reprise da mesma, no final dos anos 80 via TVS/SBT. Acho bem melhor que as séries Ultra (me refiro às primeiras, pois das posteriores só vi a Tiga mesmo) - pelo menos era o que eu achava na época, talvez hoje se eu assisitr isso mude. E bem melhor que o "colega de produtora" Magma Taishi (Vingadores do Espaço), que achei extremamente arrastada e pra mim mais me pareceu um longuíssimo filme de mais de 1350 minutos (maçante mesmo!).

    Mas voltando ao Spectreman me lembro bastante daquele episódio do monstro que odiava os carros esporte, do episódio do maçarico (não sabia o que era um, mas descobri graças à série - tinha uns 7 anos na época, não me culpem!) e o mais saudoso é aquele em que o Roa/Karas perambula pela Terra, vai meio que acidentalmente à uma discoteca e sai trincadaço de bêbado, hahaha!

    Enfim, recomendo bastante. Como disse, levando em conta que só vi ela mesmo nessa época (1988/1989) eu teria que rever pra ver se AINDA ACHO essa série superior às séries Ultra (pelo menos às primeiras 6 séries - Ultra Q inclusa nessa). Mas já sei que vou curtir bastante se o fizer. E na espera de alguém liberá-la legendadinha da silva, com "ripagem" do Blu-Ray em 1080p. Assistam sem medo!

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  2. A única coisa que discordo do review é da trilha sonora, que é bem padrão do começo dos anos 70. E coisa imposta pelo produtor ao compositor. Isso só muda bem lentamente. É só ouvir as músicas das séries da Toei pra ver que isso não é isolado.

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  3. Só discordo da menção à trilha sonora. A insistência em temas militares só vai amolecer um pouco a partir dos anos 80. Durante a década de 70 aparece ao menos um tema militar em cada série.

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    1. Posso estar enganado mas... creio que as músicas e demais BGMs japonesas e às da versão dos EUA (que foram pro resto do mundo, o que quase sempre acontece nesses casos) são totalmente diferentes.

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